Síntese de Evidências para Políticas de Saúde

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O problema

A atenção à saúde no Brasil tem investido na formulação, implementação e concretização de políticas de promoção, proteção e recuperação da saúde. Há um grande esforço na construção de modelo de atenção à saúde que priorize ações de melhoria da qualidade de vida dos sujeitos coletivos (BRASIL, 2006). Dentre as prioridades em saúde, destacam-se o aprimoramento do acesso e qualidade dos serviços prestados no SUS, com ênfase no fortalecimento da saúde da família; promoção, informação e educação em saúde, incentivo à prática de atividade física, de hábitos saudáveis de alimentação e de vida, controle do tabagismo e do uso abusivo de álcool e cuidados voltados ao envelhecimento.

Em Piripiri, o Projeto Academia na Praça despertou a população para a procura de atividades físicas como alternativa de melhor qualidade de vida. Entretanto, qual a melhor forma de inserção da atividade física no contexto da APS? Qual tipo de atividade física é a mais benéfica? Que grupos podem ser mais beneficiados? Qual carga de exercícios é indicada? Existem riscos relacionados com a atividade física?

Essa síntese apresenta as melhores evidências encontradas e disponíveis relacionadas à atividade física em nível individual e comunitário, discutindo os benefícios, barreiras e implicações que sua prática oferece.

Opções para enfrentar o problema

Opção 1 – Prescrição da atividade física na APS para a prevenção e tratamento da hipertensão arterial em nível individual. Opção 2 – Incentivar, em nível comunitário, a prática de atividade física aeróbica sob supervisão profissional.

Considerações gerais acerca das opções propostas

Opção 1 – Prescrição da atividade física na APS para a prevenção e tratamento da hipertensão arterial em nível individual.

No Brasil o panorama da saúde cardiovascular pode ser resumido por meio do tabagismo, hipertensão, diabetes mellitus e obesidade. A prevalência estimada de hipertensão nacional atualmente é de 35% da população acima de 40 anos. Isso representa um total de 17 milhões de portadores da doença, segundo estimativa de 2004 do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística. Cerca de 75% dessas pessoas recorrem ao Sistema Único de Saúde (SUS) para receber atendimento na atenção básica. Para os portadores de hipertensão, existe o Programa Nacional de Atenção à Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus. O programa compreende um conjunto de ações de promoção de saúde, prevenção, diagnóstico e tratamento dos agravos da hipertensão, cujo objetivo é reduzir o número de internações, a procura por pronto-atendimento, os gastos com tratamentos de complicações, as aposentadorias precoces e a mortalidade cardiovascular.

As estratégias de mudanças no estilo de vida mencionam o abandono do tabagismo, os benefícios terapêuticos da atividade física e a importância da dieta. A associação entre o exercício físico e o risco de desenvolvimento da doença arterial coronariana (DAC), comprova a necessidade da promoção da atividade física como prioridade da saúde pública, entretanto, estudos ainda apontam que a prevalência de aconselhamento educativo à prática da atividade física na unidade de saúde, embora já venha ocorrendo, ainda é muito baixa frente às necessidades dos indivíduos.

Opção 2 – Incentivar, em nível comunitário, a prática de atividade física aeróbica sob supervisão profissional.

A promoção da atividade física na unidade básica de saúde tem-se feito notar mais evidente ultimamente. Dentre os fatores que contribui para este fenômeno está, sem dúvida, a preocupação pelo estilo de vida (MATSUDO; MAHECHA, 1992). O envelhecimento vem acompanhado de uma série de efeitos nos diferentes sistemas do organismo que, de certa forma, diminuem a aptidão e a performance física, fato que colabora com a difusão dessa prática. A cobertura populacional pelas equipes de saúde da família e as práticas sociais que compõem a saúde coletiva, além do perfil dos profissionais de saúde com formação em saúde pública, facilitam o aconselhamento dos usuários. Os exercícios aeróbicos de baixo impacto (natação, caminhada, ciclismo, hidroginástica) podem estar associados ao menor risco de lesões e trazem grandes benefícios a nível antropométrico, neuromuscular, metabólico e psicológico, o que além de servir de prevenção de doenças como hipertensão arterial, enfermidade coronariana e osteoporose, entre outras, melhora significativamente a qualidade de vida dos indivíduos e sua independência, principalmente na idade mais avançada. Segundo a IV Diretriz Brasileira sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (2005, 2006, 2007), a prática de exercícios físicos aeróbios promove redução dos níveis plasmáticos de triglicerídeos e aumento dos níveis de HDL-Colesterol (bom colesterol).