Síntese de Evidências para Políticas de Saúde

Considerações sobre as opções relacionadas com a equidade

Opção 1 – Produzir e disseminar sínteses de evidências com linguagem adaptada a diferentes públicos A produção de sínteses de evidências com linguagem adaptada deve atender às necessidades de diferentes grupos da população, incluindo aqueles com baixo nível de escolaridade ou deficiência visual, por exemplo. Para diminuir a desigualdade no acesso a informação faz-se necessária a adoção de diferentes formatos e produção de sínteses em formatos não escritos, como, por exemplo, na forma de livros falados (audiobooks) ou vídeos. A elaboração de sínteses de evidências adaptadas tem potencial de reduzir as desigualdades regionais uma vez que incrementa o acesso à informação do controle social, promovendo participação informada dos usuários nos processos deliberativos na política de saúde.

Opção 2 – Usar plataforma virtual online para disseminação do conhecimento científico O processo de inclusão digital no Brasil favoreceu a difusão rápida e abrangente de informações através da rede mundial de computadores. Entretanto, o uso de plataforma online ainda pode potencializar a desigualdade no acesso à informação, se a mesma está disponível apenas em meio digital. Apesar do enorme avanço, parte da população ainda não tem acesso a computadores pessoais, e em algumas localidades e para alguns grupos sociais, a utilização de lan houses é restritiva por questões financeiras ou geográficas.

Opção 3 – Utilizar o jornalismo e outras formas de comunicação social para ampliar a disseminação do conhecimento científico O uso de diferentes formas de comunicação para disseminar evidências científicas pode atingir grandes públicos, entretanto, a utilização exclusiva da linguagem escrita poderá limitar o acesso à informação a alguns grupos, diminuindo o nível de equidade dessa opção. Dessa forma, faz-se necessária a utilização conjunta de estratégias menos dependentes da comunicação escrita, como a divulgação de notícias sobre evidências científicas em linguagem clara e acessível através do rádio. As vantagens dessa estratégia estariam relacionadas à viabilidade econômica da comunicação por rádio e possibilidade de atingir públicos negligenciados, principalmente em regiões distantes de centros urbanos e áreas de difícil acesso.

Opção 4 – Promover a interação entre pesquisadores e tomadores de decisão A alta concentração de pesquisadores e instituições de pesquisa nas regiões sul e sudeste do Brasil está associada à presença de infraestrutura e recursos encontrados nessas regiões. Apesar da evidente melhora na distribuição de pesquisadores para as regiões historicamente menos favorecidas, mediante a criação de novos campi universitários e distribuição mais equitativa dos recursos financeiros para o desenvolvimento de estudos, a concentração de pesquisadores em poucos centros continua sendo uma realidade no país. Por esse motivo, a implementação dessa opção pode acentuar as desigualdades regionais relacionadas a esse padrão, podendo dificultar sua efetividade e reduzir os benefícios do diálogo entre pesquisadores e tomadores de decisões. Uma alternativa pode ser a promoção do intercâmbio entre as regiões do país para a conformação de redes colaborativas entre pesquisadores e tomadores de decisão.