Síntese de Evidências para Políticas de Saúde

Opção 4 – Promover a interação entre pesquisadores e tomadores de decisão

Muitos estudos indicam que existe uma lacuna entre pesquisadores e tomadores de decisões (know-do gap), fato que pode ser responsável pela pouca utilização do conhecimento científico na formulação e implementação das políticas públicas de saúde. Aumentar e melhorar a interação e o diálogo entre pesquisadores e tomadores de decisão pode estimular o uso de evidências nas políticas públicas. Para isso, espaços indutores do diálogo e interação entre os setores são necessários para que resultados de pesquisas científicas possam ser incorporados e aplicados nas políticas de saúde.

Quadro 4 – Achados relevantes para a opção, segundo revisões sistemáticas/avaliações econômicas

Categorias dos achados Síntese dos achados mais relevantes
Benefícios Uma maior interação entre pesquisadores e tomadores de decisões vem, há anos, sendo considerada uma eficiente estratégia para estimular o uso de pesquisas em saúde na elaboração de políticas, conforme indicaram um estudo primário e uma revisão sistemática de baixa qualidade (LOMAS, 1997; LAVIS et al., 2005). Bowman et al. (2012) propuseram que o diálogo entre pesquisadores e tomadores de decisões pode facilitar a discussão sobre políticas e sobre como implementá-las.

A estratégia mais citada para promover o uso de evidências científicas, segundo tomadores de decisões, é melhorar ao acesso a pesquisa e pesquisadores (CAMPBELL et al., 2009). Por parte dos pesquisadores, a existência de contato prévio ou a criação de redes com tomadores de decisões funcionam como facilitadores do uso das suas pesquisas na elaboração e implementação de políticas para saúde (CAMPBELL et al., 2009). A implantação de estratégias para aumentar o diálogo entre tomadores de decisão e pesquisadores pode fazer com que tomadores de decisão passem a apreciar o processo de construção científica e se envolvam mais na geração de evidências (OREM et al., 2012).

Danos potenciais Não foram reportados danos potenciais relacionados com esta opção.
Custos ou custo/efetividade em relação à situação atual Não foram encontrados estudos que avaliaram custos ou custo-efetividade desta opção. Podem ser caracterizados como custos potenciais o tempo investido por tomadores de decisões e pesquisadores para estabelecer o diálogo, além dos custos de deslocamentos dos mesmos.
Incertezas em relação aos benefícios, danos potenciais riscos, de modo que o monitoramento e avaliação sejam garantidos se a opção for implementada Mesmo que seja estabelecido o diálogo entre pesquisadores e tomadores de decisões, outros fatores como pressões políticas, e conflitos de interesse podem dificultar a formação de um consenso entre os atores (INNVÆR et al., 2002; OREM et al., 2012; OLIVER et al., 2014).
Principais elementos da opção (se ela já foi implementada/testada em outro lugar) Os principais elementos da opção envolvem a organização de espaços deliberativos ou de plataformas institucionalizadas onde resultados de pesquisa e projetos de políticaspara a saúde sejam apresentados e discutidos com a participação de pesquisadores e tomadores de decisões. Uma pesquisa realizada em Bahrein revelou que o país apresenta um alto uso de evidência científica no processo de elaboração de políticas, possivelmente resultado da interação entre pesquisadores e tomadores de decisões (EL-JARDALI et al., 2012).
Percepção dos sujeitos sociais (grupos de interesse) envolvidos na opção, quanto à sua efetividade De acordo com uma revisão sistemática de alta qualidade, o facilitador mais mencionado para se obter um maior uso de evidência científica na elaboração de políticas para saúde é o contato pessoal entre pesquisadores e tomadores de decisões (INNVÆR et al., 2002). Outra revisão da literatura observou a necessidade de implantação de plataformas institucionalizadas para aumentar o diálogo entre pesquisadores e tomadores de decisões (OREM et al., 2012).

Resultados de entrevistas com tomadores de decisões e pesquisadores revelaram que grande parte dos tomadores de decisões (74%) tinha interesse em contatar pesquisadores no último ano, entretanto, pouco mais da metade teve facilidade em dialogar com um pesquisador. Um resultado similar foi observado quando pesquisadores quiseram contatar tomadores de decisões (CAMPBELL et al., 2009).

Similarmente, um estudo conduzido na região leste do mediterrâneo revelou que menos da metade dos tomadores de decisões estabelecem colaborações com pesquisadores (EL-JARDALI et al., 2012).