Síntese de Evidências para Políticas de Saúde

Descrição do problema

Evolução da Mortalidade infantil no Brasil

As taxas de mortalidade infantil relativas ao componente neonatal precoce no Brasil, especialmente no Norte e Nordeste, não alcançaram a mesma redução que a taxa de mortalidade infantil global na última década. O problema deve ser caracterizado a partir da dificuldade em reduzir óbito neonatal precoce no Brasil, especialmente no Norte e Nordeste. As afecções perinatais são a principal causa do óbito infantil no Brasil e estão relacionadas principalmente a inadequação ou inexistência de acompanhamento pré-natal e capacidade de resolução no âmbito hospitalar.

Dentre os principais determinantes do óbito infantil no Brasil, estão as condições sócio-econômicas, sendo a mortalidade infantil concentrada em populações marcadas pela desigualdade social de forma ampla. Entretanto, o acesso aos serviços de atenção básica tem potencial de alterar o perfil do óbito infantil, reduzindo o seu risco e assim influenciando positivamente na qualidade de vida.

A taxa de mortalidade infantil no Brasil reduziu 61,7% entre os anos 1990 e 2010. O aumento do acesso ao saneamento básico, a queda da taxa de fecundidade, a melhoria geral das condições de vida, da segurança alimentar e nutricional e do grau de instrução das mulheres, maior acesso aos serviços de saúde e ampliação da cobertura da Estratégia de Saúde da Família, o avanço das tecnologias médicas, em especial a imunização e a terapia de reidratação oral, e o aumento da prevalência do aleitamento materno, são apontados, dentre outros, como fatores responsáveis pela mudança no perfil da mortalidade infantil no país (Lansky et al, 2009; Frias et al, 2009). Entretanto, são observadas grandes diferenças regionais, como é o caso da região Nordeste do Brasil, que apesar de ter experimentado a maior queda geral das últimas décadas, suas taxas, juntamente com a região Norte ainda são as mais elevadas do país. A taxa de mortalidade infantil da região Nordeste em 2007 foi 40% maior do que a taxa nacional e 2,1 vezes maior do que a taxa da região Sul (Brasil, 2009).

Dentre os estratos etários da mortalidade infantil, o componente pós-neonatal (28 dias a um ano de vida incompleto) sofreu a maior queda e o componente neonatal precoce (0 a 6 dias de vida) a menor redução. Nos dias de hoje, a mortalidade neonatal (0 a 27 dias de vida) tem  a maior representação em termos proporcionais na mortalidade infantil no Brasil, representando até 70% do óbito infantil em todas as regiões do Brasil. Nesse contexto, o componente neonatal precoce responde por cerca de 50% das mortes infantis no Brasil, passando a ter uma grande importância, suscitando ações para o seu controle, demandando também mobilização e priorização na agenda dos gestores da saúde.

Anterior

Próximo