Síntese de Evidências para Políticas de Saúde

Opção 4 – Uso de corticosteróides para prevenir desconforto respiratório em prematuros

Garantir o uso oportuno de corticosteróides para tratamento das afecções relacionadas com ou sem ruptura de membranas nos casos de prematuridade.

Tabela 4: Sumário de achados na evidência científica (revisões sistemáticas/estudos de custo efetividade/ensaios clínicos controlados) relevantes para a Opção 4.

Categorias dos achados Síntese dos achados mais relevantes
Benefícios
  • Uma revisão sistemática muito recente e de excelente qualidade (Roberts, 2006), demonstrou que a administração antenatal de corticóides para mulheres com risco de parto prematuro está associada à redução significativa da mortalidade neonatal precoce.
  • O procedimento reduz de forma geral o óbito neonatal e os principais efeitos da prematuridade tais como o desconforto respiratório, enterite necrosante, hemorragia intraventricular, necessidade de internação na neonatologia e infecções sistêmicas nas primeiras 48 horas de vida. Por outro lado, a administração de corticóides antenatais com finalidade profilática não aumentou os riscos maternos de morte, corioamnionite ou sepse puerperal e demonstrou ser efetivo mesmo nos casos de ruptura prematura das membranas e nos transtornos hipertensivos da gravidez.
  • Embora a maioria dos estudos revisados tenha sido realizada em países industrializados, não há razões de fundo biológico ou social para que a efetividade do tratamento com corticosteróides não seja reproduzida em populações com características socioeconômicas diferenciadas.
  • Quanto ao corticóide de escolha, uma revisão sistemática muito recente (Brownfoot, 2008) sugere que a dexametasona poderia ter alguns benefícios com relação à betametasona, particularmente por apresentar menor incidência de hemorragia intraventricular. Um estudo de menor abrangência sugere que a via de administração intramuscular apresentaria vantagens para o neonato, se comparado com a administração via oral.
  • No que diz respeito à melhor posologia para o tratamento, uma revisão sistemática (Crowther, 2007) que analisou cinco estudos (2028 pacientes) sugere benefícios para os neonatos expostos a doses repetidas de corticóides, em comparação com uma única dose. Entretanto, um estudo clínico com 1858 pacientes publicado posteriormente (Murphy 2008), mostrou não haver diferenças entre as posologias, entretanto, este estudo, assim como a revisão sistemática antes mencionada apontam para a diminuição no peso ao nascer, da circunferência cefálica e de outras medidas antropométricas em neonatos expostos a doses repetidas de corticóides.
Riscos potenciais
  • Não foram identificados efeitos adversos maternos ou fetais no uso de corticosteróides com fins profiláticos para o parto prematuro em dose única. Estudos sobre os efeitos a longo prazo demonstraram que os benefícios dos corticóides se mantiveram na infância, bem como não foram verificados efeitos adversos em adultos expostos aos corticóides no útero.
  • A administração de doses continuadas de corticóides pode estar relacionada ao menor peso ao nascer, menor circunferência cefálica e alteração de outras medidas antropométricas neonatais.
Custos ou custo/efetividade em relação à situação atual
  • Um grande estudo de custo-efetividade (Simpson, 1995) demonstrou que a extensão da administração de corticóides profiláticos a todas as mulheres com trabalho de parto prematuro resultaria em uma redução significativa dos custos para o sistema de saúde, além do melhoramento da saúde dos bebês prematuros.
Incertezas em relação aos benefícios e potenciais riscos, de modo que o monitoramento e avaliação sejam garantidos se a opção for escolhida
  • São limitadas as evidências sobre os benefícios da administração de corticóides nos casos com risco de nascer muito prematuro (antes das 26-28 semanas), ou próximo do término da gestação (34-36 semanas).
  • Não há evidência conclusiva a respeito do melhor tratamento para gestação múltipla (gêmeos).
  • Não se avaliou a eficácia do tratamento na comunidade, em mulheres com risco aumentado de parto prematuro.
Principais elementos da opção (se ela já foi implementada/testada em outro lugar)
  • Um dos estudos incluídos numa revisão sistemática recente e de ótima qualidade (Roberts, 2006) foi realizado no Brasil.
  • A administração de corticóides para mulheres em risco de parto prematuro reduz a mortalidade neonatal e os efeitos específicos da prematuridade.
  • O uso de corticóides em todas as mulheres com risco de parto prematuro reduz os custos para o sistema de saúde.
  • Todas as mulheres com risco de parto de prematuro devem receber corticóides antenatais em única dose no momento da admissão no serviço de assistência ao parto.
Percepção dos sujeitos sociais (grupos de interesse) envolvidos na opção, quanto à sua efetividade
  • Não foi avaliado.

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